Sensitização: A Perda de Cromo e a Fragilização da Junta
O fenômeno da sensitização é o risco metalúrgico mais grave na união de ligas resistentes à corrosão, particularmente as austeníticas convencionais (como a série 304). Ele ocorre quando o material é mantido ou resfriado lentamente através de uma faixa crítica de temperatura, geralmente entre $450^{\circ} \text{C}$ e $850^{\circ} \text{C}$. Nesta faixa, o carbono (mesmo em teores baixos) migra e se combina com o cromo para formar carbetos de cromo $\text{(Cr}_{23}\text{C}_{6})$ nos contornos de grão. A formação desses carbetos empobrece a área circundante dos contornos de grão em cromo, reduzindo o seu teor abaixo dos $10,5\%$ necessários para manter a camada passiva protetora. Como resultado, a resistência à corrosão intergranular é severamente comprometida, e a peça torna-se vulnerável à corrosão intergranular ou deterioração por trinca em ambiente corrosivo, especialmente em soluções ácidas ou cloradas. A ZAC, sendo a área que atinge a temperatura crítica por mais tempo, é a mais suscetível.
A Estratégia do Baixo Carbono ('L') e Estabilização
Para combater a sensitização, a principal estratégia é a utilização de acessórios consumíveis com baixo teor de carbono (os tipos 'L', como E308L, E316L, etc.). Com menos carbono disponível para reagir, a precipitação de carbetos é drasticamente reduzida. Nos casos em que a peça não pode ser tratada termicamente após a soldagem (recozimento de solução), o uso da variante 'L' é obrigatório. Uma abordagem alternativa (ou complementar) é o uso de acessórios com elementos estabilizadores, como o nióbio (Nb) ou o titânio (Ti), como no tipo E347. Estes elementos têm uma afinidade muito maior pelo carbono do que o cromo. Eles formam carbetos estáveis (carbetos de nióbio ou titânio) dentro do grão, impedindo que o cromo seja 'roubado' nos contornos. Isso preserva a concentração de cromo na microestrutura, garantindo que a camada passiva se mantenha íntegra.
Além da seleção do material, o controle do aporte térmico é crucial. A regra é reduzir o tempo de permanência da junta na faixa de temperatura crítica de sensitização. Isso é alcançado através da utilização da menor amperagem possível, da velocidade de avanço mais rápida e do controle rigoroso da temperatura interpasses (mantida abaixo de $150^{\circ} \text{C}$). A combinação do acessório 'L' ou estabilizado com um processo de soldagem rápido e frio é a forma mais eficaz de preservar a integridade do material no que diz respeito à corrosão intergranular.
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